Angola tem vantagens turísticas comparativamente aos países da região

27 Janeiro de 2016 | 13h18 – Actualizado em 27 Janeiro de 2016 | 13h17

Luanda – A consultora internacional Josefa Sacko disse hoje, em Luanda, que Angola deve aproveitar a vantagem comparativa que tem neste momento em relação a outros países da região, no domínio do turismo, para criar condições adequadas que promovam este sector, tida como uma grande fonte de riqueza.

Segundo a consultora, hoje, a maior parte dos contribuintes do mercado do turismo (países ocidentais) está a procura de zonas estáveis para fazer turismo.

Estes turistas já não vão aos países da África do Magreb (Mauritânia, Argélia, Tunísia, Marrocos e Sahara Ocidental), nem ao Egipto, locais antes preferidos devido à insegurança, mas estão a descer para a Namíbia e África do Sul, tidos como lugares que oferecem segurança, explicou a consultora em entrevista à Angop.

“Nós não temos problemas de insegurança no país, por isso, devemos aproveitar este momento e criar condições adequadas que promovam este sector que representa uma grande fonte de receitas.

Esta é a grande vantagem comparativa que Angola tem neste momento, admitiu a consultora.

Ao fazer uma análise sobre os sectores que podem trazer efeitos positivos imediatos na economia, particularmente na actual fase de crise, Josefa Sacko apontou os sectores financeiro e turístico, enquanto para a diversificação da economia referiu-se a agricultura, as minas e a indústria.

No sector do turismo, sublinhou a grande importância económica do Projecto Okavango/Zambeze, que, em sua opinião, pode ser explorado da mesma forma como o Victória Falls, entre a Zâmbia e o Zimbabwe, que muito tem contribuído para a balança de pagamento destes países.

Para estimular a actividade turística de maneira a que esta traga mais turistas para o país, apontou a necessidade de se viabilizar o sistema de vistos e a questão de preços, de modo a não afugentar os visitantes.

Na área agrícola, a consultora sugeriu a implementação de uma política comercial nas zonas produtoras que possibilite a construção de armazéns para o condicionamento (stockagem) de produtos e evitar-se os desperdícios que ainda se registam em muitas zonas produtivas.

Esta ideia, explicou, deve-se ao facto de hoje, devido às alterações climáticas, não se querer utilizar o carbono como fóssil, mas, para o caso, existem as energias renováveis e os painéis solares que podem servir de apoio aos camponeses nessas cooperativas.

Josefa Sackou referiu-se também a necessidade de se melhorar o programa de comercialização, assim como o processo de escoamento dos produtos do campo para a cidade, uma vez que ainda se registam grandes desperdícios em muitas zonas do país.

Ainda no que toca a diversificação, a consultora sugere que o Estado aposte na produção e nas fileiras da borracha (dados de 1908 indicam que Angola já foi grande produtor de borracha), e do algodão que são commodities que o país já produzia, lembrando igualmente que Angola tem também hoje a grande oportunidade de se lançar na produção de soja na sub-região.

No sector industrial, apontou a criação de indústrias, para a transformação dos produtos no país, bem como a comercialização destes produtos no mercado regional que é menos exigente, aproveitando, deste modo, o Caminho-de-Ferro de Benguela.

“Para todos estes projectos, o Governo angolano deve estabelecer prioridades, pois a diversificação deve ser feita de forma programada, com estruturas e áreas bem definidas”, disse.

A consultora referiu-se igualmente da necessidade de se incentivar o sector privado (pequenas e médias empresas), com vista a proporcionar empregos e desenvolver a economia de Angola, e que, na sua óptica, deve ser dominado por nacionais.

Essa aposta, segundo ainda a consultora, deve passar, necessariamente, pela formação, capacitação, estágios e visitas nas áreas empresarias.

Fonte: Angop

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